Balaio no Dia das Mães

No próximo domingo, 13 de maio, às 15h30, o Balaio de Dois vai se  apresentar no Projeto “No Bixiga tem leitura”, evento idealizado pela “Cia. A hora da história”. A atividade que é totalmente gratuita e acontece na Praça Dom Orione (próximo a escadaria). Lembrando que em caso de chuva não haverá.

Prato quente*

Foto: Salatiel Silva

Clímax, Jardim Clímax, pertinho do Sacomã. Zona sul de São Paulo. Nós do Balaio de Dois, chegamos ao local graças ao GPS. O GPS quando não atrapalha, ajuda. Nunca ouvíramos falar desse lugar que tem o nome de Clímax. O conjunto de prédios que outrora fora Cingapura.

Passava das dez da manhã. O domingo colocava-se de pé por homens que ajeitavam a mesa para o dominó. Por uns manos que desciam a rua com as chuteiras nas mãos. Jogo contra. Sei lá, talvez amistoso. E pelas crianças, que aos poucos saíam dos prédios, ainda remelentas.

A idade verde evidenciava-se pela falta dos dentinhos em algumas delas; coisa que nessa fase é a maior graça. Outras esticavam as canelas até o ônibus-biblioteca, ávidas por novas aventuras. “Eu vou pegar um livro do Batman”, um dizia. “Vou pegar um de charadas, eu adoro charadas”, outro demonstrava a sua preferência.Hoje seria a estreia de uma menina no ônibus-biblioteca. Nem sabia que livro pegaria.

Enfim, cada um com a sua poção mágica de domingo, de sonhos, de lembranças construídas para serem contadas mais tarde. O domingo, quiçá, o melhor dos domingos de toda a vida.

Gente esquecida e misturada num domingo que ora fora azul, ora cinza. Um domingo que começou preguiçoso, mas, depois, vestiu-se de todas as cores. E a gente, ali, observava cada movimento, de cada pessoa. Eu e o Sala. O Sala e eu. Somos mesmos uns afortunados, além de fazermos o que mais gostamos ainda recebemos mimos das pessoas como a dona Rosilene.

“Vocês vão almoçar em casa”, disse ela. O Sala tentou fazer um charminho, mas o convite dela foi tão amoroso que foi impossível de recusá-lo. E essa foi a primeira vez que almoçamos no Jardim Clímax: costela de porco com mandioca frita, arroz, feijão e macarrão. Tudo servido naquele prato quente da simplicidade.

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*publiquei este texto, hoje no blog do Balaio de Dois

Na eletricidade do coração

Desde o primeiro dia de maio, eu e o meu parceiro de Balaio de Dois o Salatiel Silva, estamos participando do Projeto Ônibus-Biblioteca, da Prefeitura de São Paulo. Esse é o segundo ano consecutivo. O Ônibus-Biblioteca chega às comunidades mais carentes nos quatro cantos da megalópole paulistana levando livros e atividades de narração de histórias e shows como o nosso, os quais visam difundir a leitura entre os pequenos, os adolescentes e os adultos.

As pessoas chegam a fazer fila para pegar e devolver os livros. São pessoas de todas as idades numa cruzada silenciosa em busca de entretenimento, conhecimento, emoções, novos olhares – coisas que a leitura enseja. Chega a ser comovente o singelo ato do empréstimo, um empréstimo que pode mudar destinos, que pode abrir portas. O simples ato da existência em meio às palavras.

Hoje mesmo estivemos numa Praça do Jardim Reimberg, zona sul da cidade, perto do Grajaú. Armamos os nossos apetrechos, o Sala afinou o violão, as crianças chegaram com um grupo de professoras de uma escola próxima. As crianças queriam voar, elas sempre querem e voam. Melhores do que ninguém, as crianças conhecem bem os lenitivos de uma vida que se faz de levezas.

Enquanto recitava observei que a Praça foi se enchendo aos poucos. Até mesmo os vizinhos que ouviam, no último volume, o som dos Racionais Mc’s, abaixaram o som. Da laje de uma casa, um senhor cantou com a gente os versos da cantiga que a tradição eternizou: “se essa rua, se essa rua fosse minha/ eu mandava, eu mandava ladrilhar”. Música e poesia na Praça e na eletricidade do coração. A manhã esquentou e nós ganhamos o dia.

Mão pra lá, mão pra cá

Mão pra lá, mão pra cá. É assim que deve ser a vida, se não a coisa se torna sem graça. Receber a benevolência das boas palavras e atitudes dos outros é a coisa mais gostosa e cômoda que tem. Agora, você já parou para pensar sobre o que você oferece gratuitamente aos seus iguais? Tenho recebido das pessoas, ao longo da vida, sempre os melhores afetos e votos de vida benfazeja. E isso não é de hoje. Sei que os meus amigos de sempre estão comigo, sempre estiveram na minha destinando-me deferências as quais nem sei se mereço. Mas o ato de escrever e recitar poesias permitiu-me enxergar os meus amigos com outros olhos: olhos de voar. Desejo voar com eles sempre e sempre, sem me preocupar com qualquer tipo de interdição. Os meus amigos são o que são e são a minha riqueza nessa vida de altos e baixos, assim como a família que nos atura todos os dias -com os nossos prós e contras-, os nossos amigos sabem quem nós somos. Não há máscara alguma que possa nos esconder deles. Assim como os amigos de sempre, os novos amigos também chegam com as suas lições de afetos e nos estendem os longos tapetes da amizade e vão nos presenteando com presença de espírito, dengos e vão nos mostrando o quanto é bom gostar do outro simplesmente pelo ato de gostar. Dias desses, estive numa livraria para o lançamento do livro de um amigo e conheci a minha mais nova amiga de infância com nome de protagonista e título de romance russo: Anna Karenina, uma jovem escritora cearense, que cresceu na cidade de Russas. Incrível. É como se nos conhecêssemos há séculos graças ao indispensável manto das palavras voejantes, das palavras que inauguram um novo tempo. Comprei o lindo “Encantador de Traças” dela e ela comprou o nosso Bolinho de Chuva e outras miudezas. Depois disso fiquei de me comunicar com a moça, mas não fiz isso não. Então, essa nova amiga que mantém um blog http://balaiodakare.blogspot.com vai e escreve sobre o nosso livro para o meu deleite. Com o amigo a gente sempre encontra um jeito para construir pontes, dividir os nossos medos e multiplicar os estados da alma. Anna Karenina, juro que pensei que nunca fosse chegar o dia de lhe conhecer. Obrigado.

Ciranda Cirandinha

Ciranda Cirandinha é o novo show do Grupo Ciranda de Cantigas, do qual faço parte também. O show está bem legal e a gente vai começar a oferecê-lo por aí. Vejam o vídeo com alguns momentos da apresentação que fizemos no SESC Interlagos.

Contato para show: (011) 9859-1430 ou 9794-5105